Publicação do Projeto Universidades Renovadas
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quarta-feira, 30 de junho de 2010
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O que fazer enquanto a pessoa certa não vem?

Antes de tudo devo assumir a dificuldade de escrever a matéria proposta: relacionamento humano, amor romântico, namoro... A razão da dificuldade não está em refletir sobre o tema e nem em encontrar palavras para compor o texto, mas em responder a pergunta: “O que fazer enquanto a pessoa certa não vem?”. Encontrei nos Escritos de São Francisco1 uma possível resposta. Assim diz São Francisco:

Onde há caridade e sabedoria, não há medo nem ignorância.

Onde há paciência e humildade, não há ira nem perturbação.

Onde a pobreza se une a alegria, não há cobiça nem avareza.

Onde há paz e meditação, não há nervosismo nem dissipação.

Onde o temor de Deus está guardando a casa (cf. Lc 11,21), o inimigo não encontra porta para entrar.

Onde há misericórdia e prudência, não há prodigalidade nem dureza de coração.

O que chama a atenção sobre o que o Santo escreve é a sua ênfase nas virtudes humanas: caridade, sabedoria, paciência, humildade... Virtudes que devem ser cultivadas para a vida.

A caridade como um dom superior e caminho excelente de vida (I Cor 13, 1-13) é algo a ser cultivado no encontro com os outros. A partir das experiências nos relacionamentos interpessoais, com amigos, familiares e na vida comunitária cristã, por exemplo, é possível desenvolver um olhar de caridade e compaixão voltado para o próximo e pensar a vida com sabedoria e discernimento. A caridade é prática cristã de amor direcionada para o outro, a sabedoria é o que se ganha de Deus, com tal prática (Eclo 1, 1-2). A sabedoria é o salário da caridade.

Em um mundo de tantas turbulências e agitações, as virtudes da paciência, da humildade e da paz parecem qualquer coisa rara. O ser humano nos tempos atuais anda pelo mundo cada vez mais ansioso, inquieto. Antoine de Saint-Exupéry, em O Pequeno Príncipe assim nos diz: “Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos”. Para “ver com o coração” é preciso ter calma. Um “coração pacifico” está mais apto a amar.

“O temor ao Senhor é uma glória, um motivo de glória...” (Eclo 1, 11). Temor de Deus não significa viver com receio, amedrontado com tudo. Significa admitir que nós, como seres humanos, somos inteiramente dependentes de Deus. Precisamos da misericórdia de Deus, sem a qual a vida de qualquer pessoa perde o sentido. O que fazer, com quem e como se relacionar... Quando a vida não tem mais sentido? Quem teme a Deus aperfeiçoa a virtude da prudência.

Quando se trata de esperar um namoro (a pessoa certa) a prudência deve fazer parte da rotina de vida da pessoa que espera. De nada adianta fugir da solidão tomando decisões precipitadas. A pressa é inimiga de uma boa decisão.

Então, o que fazer enquanto a pessoa certa não vem? (o que é o certo, aliás?). São Francisco há 800 anos nos oferece uma resposta para a vida em amplo sentido. A mensagem que fica é: Cultivar virtudes é construir uma vida feliz... Se você está feliz então alguém vai se aproximar de você, esse alguém pode ser a “pessoa certa”.

1. Fontes Franciscanas e Clarianas. Escritos de São Francisco/admoestações. Das virtudes que afugentam os vícios (pág. 104). Editora Vozes – 2004.

Artur Vandré Pitanga.

Mestre em Psicologia pela PUC GO